quarta-feira, 24 de março de 2010

serigrafia de Júlio Dolbeth



edição - IDENTIDADES:
27 exemplares numerados
e assinados pelo autor,
33,5 cm x 51 cm
impressão sobre papel,
sob a direcção artística de Joana Paradinha

http://gestoobjectosculturais.identidades.eu/?id=6

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

SOLACE - Júlio Dolbeth



inaugura a 1 de março 18h

até 29 de março
ESPAÇO GESTO - rua cândido dos reis, 64


SOLACE
Existe alguma ambiguidade na definição portuguesa do vocábulo solace. O termo aplica-se como sinónimo de consolação, mas também pode significar alívio. Parece-me que a consolação não estará obrigatoriamente implícita no alívio, mas que este poderá realmente ser uma consequência de um gesto ou momento de consolação.
Solace é uma palavra inglesa que me agrada, por si só, parece-me suficiente para definir a tensão e as indefinições dos trabalhos expostos, reflectindo e potenciando essa ambiguidade suspensa e as tentativas de mapear a ideia de consolação ou refrigério. O ponto de partida para este projecto foi o fascínio que alguns pintores do Renascimento italiano exercem sobre mim, em particular Antonello da Messina (1430 -1479), pintor siciliano cujas obras eram por vezes confundidas com as de artistas flamengos, devido ao detalhe e rigor, à delicadeza e à profundidade da cor e à harmonia compositiva das cenas representadas. Solace conta aqui estórias, ou exercícios narrativos - onde se confunde o real com o imaginário e as situações do quotidiano com realidades ficcionadas - que se impregnam de códigos e símbolos pessoais, permeáveis a várias influências e citações mais ou menos directas e óbvias. É uma exposição de desenhos, bidimensionais e tridimensionais e, pelo potencial narrativo das imagens, posso assumir que se trata afinal de uma exposição de Ilustração. Interessa-me aqui, em particular, o transcender dos limites da Ilustração como exercício comercial, que é geralmente definida por abordagens formais - sempre próximas do Desenho - que promovem o dogma da imagem publicada e da expressão visual de um texto, apenas como um apêndice para a sua compreensão. Trabalhei pois a Ilustração como exercício auto-narrativo, mais próxima do picture-book, do livro de esquissos ou, simplesmente, como um processo gerador imagens a partir de um universo íntimo, que se transporta para o papel essencialmente através de metáforas visuais.


Júlio Dolbeth

Nasce em Angola em 1973, Júlio Dolbeth inicia a sua actividade profissional em 1996 como Assistente estagiário, na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, onde trabalha actualmente como docente do departamento de Design de Comunicação.
Durante a licenciatura foi bolseiro Erasmus em St. Etienne, França e frequentou um curso intensivo de Ilustração na Escuela Taller de Dibujos Animados em Madrid. Foi professor de desenho de figura humana, na Escola de Moda do Porto. Defendeu a dissertação de Mestrado em Arte Multimedia, em 2002, pela Fbaup/Feup, com o título "Pele Artificial". É actualmente investigador em processo de doutoramento, na área da Ilustração.
Paralelamente desenvolve trabalho como ilustrador com colaborações impressas nas publicações: Águas Furtadas, Bíblia, Blue Design, Cabeça de Ferro, Café, Calendário 2008 Voltas no Carrossel, DIF, Fabrico Próprio, Jornal Público, Parq, Search e WAD, entre outros. Desde 2006 mantém um diário gráfico online com Rui Vitorino Santos, intilulado Pandora Complexa.
É um dos fundadores da Associação Cultural e Recreativa Dama Aflita e um dos responsáveis pela galeria homónima, no Porto, dedicada à Ilustração e ao Desenho, com exposições regulares desde 2008.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

O Último Sono - ilustração de João Fazenda





Excerto do artigo publicado em 22 Novembro 2009 no New York Times.
saiba mais aqui: http://www.nytimes.com/2009/11/22/books/review/Schillinger-t.html?_r=1

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

CONSTRUÇÃO CIVIL - João Fazenda



inaugura a 30 de janeiro 23:30h

ESPAÇO GESTO - rua cândido dos reis, 64

CONSTRUÇÃO CIVIL 
O homem-espelho passa com pressa marcada, reflexo em movimento a rasgar a superfície do dia, a devolver a imagem arrumada do desarranjo do mundo. Trata-se de uma fatia apenas da paisagem maior cujas margens são desfocadas e não cabem no olhar, ou talvez seja antes uma janela a radiografar esse homem emoldurado, feito de uma rua em trânsito.  A encomenda vinha da redacção com o tema-dossier “reportagem”, amostra de mundo sob enquadramento instável e mutante, o espelho que as noticias são das coisas e das pessoas;  e então ao espelho crescem umas pernas e o anonimato e acontece a ilustração, também ela portátil e fugidia,  sobre isto e sobre aquilo, em capa de suplemento dominical com prazo de validade anunciado. Foi sensivelmente assim que este conjunto de imagens ganhou ideia e forma, resultado das mais diferentes encomendas sobre os mais diversos temas, impressas nas páginas de jornais e revistas, papel quase sempre baço, às vezes com brilhocouché, a dialogar com as histórias e imagens de todos os dias, títulos para todos os gostos e tipos de letras com muitos feitios. 
 
O contrato da ilustração é mais ou menos este, inventar a claridade entre a nebulosa das notícias ( o dramaturgo estende o seu teatro sobre o palco branco do papel; a leitura resgata as figuras à escuridão; o homem retoca o cenário da sua memória postal) e depois desaparecer pelo quotidiano adentro. São imagem-síntese que duram o instante de um reflexo em movimento - porque as páginas da imprensa têm pressa marcada- a fazer valer-se de uma paleta de cores e de formas que sejam em si mesmas ideias prontas a iluminar um texto, umas vezes a trazer perspectivas a assuntos  bidimensionais, outras a descobrir o plano de intersecção em temas com demasiadas dimensões. 
 
Se num primeiro momento andaram dispersas no papel da imprensa, uma galeria é necessariamente acontecimento novo para estas ilustrações (que como os gatos, tem muitas vidas), a oportunidade de descobrir as afinidades que entre si existem e experimentar a sua autonomia. Tudo ao molho, como deve ser,  em grande algazarra, que a  exposição é uma sala de convívio.

João Fazenda
Lisboa, 1979
Licenciado em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes de Lisboa, o seu trabalho divide-se entre a ilustração, a animação, a banda-desenhada e a pintura. Colabora como ilustrador com diversos jornais e revistas nacionais. Ilustrou também livros infantis, cartazes de cinema e capas de discos. É autor, juntamente com Marte, da série de banda desenhada “Loverboy” e com Pedro Brito da novela gráfica “ Tu és a mulher de minha vida, ela a mulher dos meus sonhos”.
Foi distinguido por mais de uma vez pela Society of Newspapers Design com o “Award of Exellence” em ilustração , e em 2007 recebeu o Grande Prémio Stuart/ El Corte Inglês de Desenho de Imprensa 2007.
Participou em diversas exposições colectivas e individuais em Portugal e no estrangeiro. Realizou o filme de animação "Café” em parceria com Alex Gozbalu e “ Algo Importante” com argumento de João Paulo Cotrim.