quarta-feira, 24 de março de 2010

ZWECKFORM - Célia Esteves



inaugura a 1 de abril 18h
até 29 de abril
ESPAÇO GESTO - rua cândido dos reis, 64


ZWECKFORM
Zweckform a propósito de uma forma gráfica. Num registo íntimo de relação com os outros surge a necessidade de partilhar momentos, memórias, fragmentos de narrativas retiradas de um universo pessoal. Uma necessidade intermitente que depende de uma vontade descomprometida, catártica. A palavra de origem alemã, Zweckform serve de propósito à forma com que se assume esta exposição, se antes um caderno de registo de facturas encontrado em viagem, hoje objecto que (trans)forma códigos, memórias, mensagens, numa crescente descodificação de números, gráficos, contas das facturas que alguém há-de pagar. Em catadupa imagens fantasmas apresentam-se num assalto das relações que se constrõem por camadas, registo cómico ou irónico que se respira no cruzar de linguagens. Imagens construídas muitas vezes num quase automatismo, onde o pensamento dá lugar uma certa compulsão, buscando sempre um sentido de humor, uma leveza narrativa. Há sempre um receptor implícito na mensagem. Ilustrações dedicadas a outrem e que se pretendem difundidas, abrangentes, codificadas, partilhadas, internáuticas, integradas na rede social onde a narrativa assume outra forma de relação, garantindo a sua comunicação. Mais do que ilustrações são mensagens de dentro para fora, para um e para todos. Para mais um propósito tornado forma, quem será o próximo alvo?

Célia Esteves
Nasce em Viana do Castelo em 1981. Licenciada em Design de Comunicação pela ESAD, inicia em 2008 o Mestrado de Desenho e Técnicas de Impressão na FBAUP, onde trabalha actualmente como Técnica de Impressão.
Paralelamente desenvolve trabalho gráfico, de ilustração e impressão serigráfica. Recentemente associa-se ao colectivo design food, Maria Dentada, como Gula onde é responsável pela imagem gráfica.

serigrafia de Júlio Dolbeth



edição - IDENTIDADES:
27 exemplares numerados
e assinados pelo autor,
33,5 cm x 51 cm
impressão sobre papel,
sob a direcção artística de Joana Paradinha

http://gestoobjectosculturais.identidades.eu/?id=6

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

SOLACE - Júlio Dolbeth



inaugura a 1 de março 18h

até 29 de março
ESPAÇO GESTO - rua cândido dos reis, 64


SOLACE
Existe alguma ambiguidade na definição portuguesa do vocábulo solace. O termo aplica-se como sinónimo de consolação, mas também pode significar alívio. Parece-me que a consolação não estará obrigatoriamente implícita no alívio, mas que este poderá realmente ser uma consequência de um gesto ou momento de consolação.
Solace é uma palavra inglesa que me agrada, por si só, parece-me suficiente para definir a tensão e as indefinições dos trabalhos expostos, reflectindo e potenciando essa ambiguidade suspensa e as tentativas de mapear a ideia de consolação ou refrigério. O ponto de partida para este projecto foi o fascínio que alguns pintores do Renascimento italiano exercem sobre mim, em particular Antonello da Messina (1430 -1479), pintor siciliano cujas obras eram por vezes confundidas com as de artistas flamengos, devido ao detalhe e rigor, à delicadeza e à profundidade da cor e à harmonia compositiva das cenas representadas. Solace conta aqui estórias, ou exercícios narrativos - onde se confunde o real com o imaginário e as situações do quotidiano com realidades ficcionadas - que se impregnam de códigos e símbolos pessoais, permeáveis a várias influências e citações mais ou menos directas e óbvias. É uma exposição de desenhos, bidimensionais e tridimensionais e, pelo potencial narrativo das imagens, posso assumir que se trata afinal de uma exposição de Ilustração. Interessa-me aqui, em particular, o transcender dos limites da Ilustração como exercício comercial, que é geralmente definida por abordagens formais - sempre próximas do Desenho - que promovem o dogma da imagem publicada e da expressão visual de um texto, apenas como um apêndice para a sua compreensão. Trabalhei pois a Ilustração como exercício auto-narrativo, mais próxima do picture-book, do livro de esquissos ou, simplesmente, como um processo gerador imagens a partir de um universo íntimo, que se transporta para o papel essencialmente através de metáforas visuais.


Júlio Dolbeth

Nasce em Angola em 1973, Júlio Dolbeth inicia a sua actividade profissional em 1996 como Assistente estagiário, na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, onde trabalha actualmente como docente do departamento de Design de Comunicação.
Durante a licenciatura foi bolseiro Erasmus em St. Etienne, França e frequentou um curso intensivo de Ilustração na Escuela Taller de Dibujos Animados em Madrid. Foi professor de desenho de figura humana, na Escola de Moda do Porto. Defendeu a dissertação de Mestrado em Arte Multimedia, em 2002, pela Fbaup/Feup, com o título "Pele Artificial". É actualmente investigador em processo de doutoramento, na área da Ilustração.
Paralelamente desenvolve trabalho como ilustrador com colaborações impressas nas publicações: Águas Furtadas, Bíblia, Blue Design, Cabeça de Ferro, Café, Calendário 2008 Voltas no Carrossel, DIF, Fabrico Próprio, Jornal Público, Parq, Search e WAD, entre outros. Desde 2006 mantém um diário gráfico online com Rui Vitorino Santos, intilulado Pandora Complexa.
É um dos fundadores da Associação Cultural e Recreativa Dama Aflita e um dos responsáveis pela galeria homónima, no Porto, dedicada à Ilustração e ao Desenho, com exposições regulares desde 2008.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

O Último Sono - ilustração de João Fazenda





Excerto do artigo publicado em 22 Novembro 2009 no New York Times.
saiba mais aqui: http://www.nytimes.com/2009/11/22/books/review/Schillinger-t.html?_r=1